Do you breathe in and out without thinking? Do you take every sunrise and sunset for granted? How often do you appreciate all the things you once wished for and now have? I fall short of my daily gratefulness by a long shot but I try to be as conscious of all LIFE as much as I can, breathe fully, feel the sun and the wind on my face, and give thanks for being alive.

Last week, my sometimes sweet but always truculent teenage daughter sent me a link to a text. She never sends me banalities and this wasn’t one for sure. The text was written in Portuguese by a friend of hers, a 16 year-old boy, (at the time), whose eloquence both inspired and moved me to tears. It’s an everyday story, albeit a tragic one, that could happen to one of us or anyone we know, but this one has a happy ending. No, I’m not spoiling it for you, because the REAL happy ending is in the realisation and the awakening of what it’s all about. Please read, cry, smile and share with your loved ones. Or others that need to wake up and “see” what life is all about.
Thanks João.
The gift of Life
Photo by Min An

 

Entre a vida e a morte

October 19, 2016

João Maria Jorge
 Olá, antes de mais sinto que tenho de me apresentar minimamente, pois o que vais ler foi até hoje a minha maior batalha.

Chamo-me João, tenho 16 anos, estudo no Liceu Francês de Lisboa, estou no décimo primeiro na área de ciências e quero seguir Engenharia Mecânica no Reino Unido. Tenho um vício: o desporto. Sempre gostei de levar o meu corpo ao limite, para me conhecer melhor. Portanto aquilo que faço quando estou aborrecido é surfar até não poder mais, correr até não poder mais, andar de bicicleta até não sentir as pernas e fazer elevações até não conseguir agarrar mais a barra; basicamente levo o meu corpo à exaustão várias vezes ao dia. Durante 5 anos fiz competição de karting a nível nacional, onde tive muito mais do que um acidente grave, habituei-me a levar pancadas como ninguém.

O que é isto tem a ver com o que vem aí? Já vais perceber.

No dia 17 de setembro tive um acidente muito grave de buggy. Sei que senti uma pancada seca, uma projeção do meu corpo e por fim uma parte mais chata, senti que tinha quebrado e que não saía dali sozinho, estava habituado a acidentes e este era só mais um, ou parecia ser. Pedi que me tirassem o buggy de cima e levantei me com a adrenalina toda, como quem queria viver e a batalha tinha acabado de começar. Com a força que tinha pus-me de pé e fiz de mim um homem. Pensamos que a história de instinto é mentira, mas acreditem em mim, era capaz de fazer tudo para não parar de respirar. Sentei-me e tentei ao máximo não ficar ali. Felizmente estava consciente desde o acidente até chegar ao hospital de Évora, onde depois fui transferido para o Hospital Santa Maria, em Lisboa.

Fiquei hospitalizado durante três semanas, duas delas nos cuidados intensivos, onde tanto era possível sobreviver, como não sobreviver.

Na primeira semana e meia o meu corpo não aceitava qualquer tipo de alimento, e é aqui que chega a parte do desporto e da vida saudável que tenho, os médicos disseram então que o meu corpo conseguia aguentar uma semana sem ser alimentado. Durante esse tempo o meu corpo alimentou-se apenas dos meus músculos. Perdi aproximadamente 10 quilos de músculo, que certamente voltarão em dobro assim que puder voltar a praticar qualquer tipo de desporto.

Mais tarde, fui operado durante 10 horas por uma excelente equipa de médicos, que me reconstruíram a face, já que parti praticamente tudo o que havia para partir. Entre maxilar, nariz, céu da boca e tudo aquilo que conseguires imaginar.

Quando estava nos cuidados intensivos, estive entre a vida e a morte. Vi os dois lados, e apercebi-me o valor que temos de dar a todos aqueles que amamos. ‘Tive na m**** durante uma semana e não desejo que ninguém passe por o que eu passei. Lutei, por mais drogado que estivesse, nunca larguei as minhas crenças e as mãos daqueles que me as estendiam.

Vi tudo de uma maneira diferente, vi que os amigos são para serem guardados ao lado da família no coração, vi que as rotinas fazem de nós pessoas felizes, vi que acordar cedo para ir aprender coisas novas todos os dias é a maior recompensa que podemos ter, vi que amar é único e deve ser um sentimento único, vi que cuidar das pessoas que cuidam de ti é reconfortante, vi que sermos nós próprios é o propósito de vivermos.

Felizmente também aprendi muitas coisas. Aprendi a conhecer os meus limites, aprendi a rezar todos os dias antes de dormir, aprendi a acordar mais positivo do que ninguém e a derrubar todos os obstáculos que me aparecem à frente, aprendi a ser uma pessoa nova, aprendi a crescer, aprendi a fazer pessoas sorrir de alegria mesmo quando tudo parecia horrível, aprendi a ser feliz com pouco, aprendi a dar valor a tudo o que parece ser banal.

E aprendi que a partir do dia do acidente tudo vai ser diferente, mas isso não me incomoda porque também aprendi que nada me pára.

Mas calma, porque também me disseram muita coisa. Disseram-me que tinham saudades minhas, disseram-me que continuava com piada, disseram-me que tinha de ter mais cuidado, disseram-me que era incrível, disseram-me que ninguém me parava, disseram-me que era rijo, disseram-me que era único e que era inquebrável, disseram-me que era um herói, disseram-me que era uma Força da Natureza, e disseram-me que agora sabia que não era imortal.

Onde quero chegar é que depois de tudo o que passei, não sou o mesmo. Claro que não mudei drasticamente, simplesmente evolui, como os Pokémons. Sou mais responsável, feliz, simples, forte, inteligente, amigável. Aprendi a conhecer me melhor e a perdoar facilmente. Com mais ou menos parafusos no maxilar ou seja onde for, estou mais do que aliviado por estar cá e poder ver todos aqueles que me rodeiam sorrir e viverem a vida que merecem. Agora, que passei pela corda bamba, posso dizer que estou cá para ajudar quem quer que seja e estou disposto a fazer o que for preciso para ajudar até não poder mais.

  

Óbvio que não ganhei esta batalha sozinho, e tenho muitos agradecimentos a fazer. Tenho de agradecer principalmente ao meu Anjo da Guarda, a minha família, aos meus amigos, aos que mandaram mil e uma mensagens, aos que me visitaram, aos que se preocuparam, aos que não dormiram, aos que rezaram, aos que pensaram, aos que souberam e não fizeram nada, aos que me deram a mão quando estava mais para lá do que para cá, aos que ignoraram porque também não eram precisos, aos médicos e médicas, aos enfermeiros e as enfermeiras, aos bebés que choravam todas as noites e me fizeram ganhar força para sair do hospital. Tenho de agradecer a mim mesmo por ter tido forças e ter ganho mais uma batalha.

Chamo-me João, tenho 16 anos, estou a voltar aos poucos a estudar para entrar com calma no Liceu Francês de Lisboa, onde estudo na área de ciências. Espero poder voltar a viver a vida que vivia, onde fazia todo o tipo de desportos que queria até não aguentar mais. Espero poder voltar a acordar de manhã, pegar na prancha e sentir aquilo que só eu e a minha segunda família sentíamos, espero poder voltar a beber umas cervejas com os meus melhores amigos, tal como espero poder voltar a guiar a minha mota ou pedalar na minha bicicleta todos os dias de manhã para a escola, que tanto passei a adorar.

Tal como quero muitas coisas, como dizer a todos os meus amigos que os adoro e às minhas namoradas que são únicas. Quero voltar a ter o meu cabelo cheio de água oxigenada, quero poder ser Eu. E se não puder ter algumas destas coisas, ou nenhuma delas, habituo-me. Sou humano, se não tiver o que quero, arranjo outra porcaria parecida, não vou desistir só porque não posso voltar a ser “normal”.

Venha o que vier, eu estou aqui, pronto para partir tudo o que me impedir de melhorar, e estou com a garra, força e a pica toda. Seja o que for, já nada me pára e só paro quando estiver a 100%. Quem quiser venha comigo porque esta batalha ainda não acabou, mas falta muito pouco para acabar.

Wishing you all a loving weekend,

xxx

Isabel

Leave a comment

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.